8 de fevereiro de 2010

Das verdades da vida

Ontem me deparei com uma situação comovente.
A mãe de um menino aqui do bairro foi atropelada e morta, eu a conhecia, fiquei imaginando desespero da criança ao ver a mãe atropelada e deformada perto do meio-fio, coisa de dois segundos poderiam ter mudado o rumo trágico desta história.

O tempo é como uma teia entrelaçada, coincidências são aleatoriamente selecionadas que no final darão inicio ou o fim de uma história.

O que dizer, explicar para o garoto ?
Será necessário conforta-lo com uma ilusão provisória que preenchera o vazio da perda da mãe ?
Seria necessário reconforta-lo na crença de que sua mãe em algum momento vai estar esperando-o no paraíso e assim viver eternamente ao seu lado ?
De que vale tudo isso afinal ?

Em algum momento entenderá o que aconteceu e mesmo sabendo que tudo que o confortou foi apenas uma ilusão, suas crenças foram falsas, mas os seus desejos são verdadeiros.
Será que a verdade pouco importa comparada com os sentimentos humanos?
"Sentimentos ou verdade, os dois são importantes, mas não são a mesma coisa"; como citou Richard Dawkins em seu Best-seller Deus, Um delírio.
A verdade é que a ilusão não vai durar muito tempo, pois quando amanhecer e despertar do sono o menino pensará: "foi tudo um pesadelo", mas quando juntar os fatos, toda sua angustia e sofrimento vai voltar.

Lembro de poucas vezes que tive essa sensação: A primeira vez foi quando vi o primeiro caixão, no velório de minha avó, minha mãe não parava de chorar, aquilo foi traumatizante pois nunca tinha visto, tanto que se passou quase 12 anos e eu ainda me recordo.
Lembro de ter acordado e pensando "foi tudo um sonho ... ", mas enganei-me quando fui guiado até a sala e vi o caixão. todo o peso do sofrimento recaia sobre mim.
A outra ocasião foi quando um amigo que treinava comigo foi atropelado e morto na volta pra casa, até hoje ecoa em minhas memorias ele me chamando de "Jhow abobrinha" poucas horas antes de ser brutalmente morto.
A ultima vez foi na morte do meu avô, eu nunca tinha visto meu pai triste. Mas naquele dia a lágrima saiu e percorreu o seu rosto, aquela cena da família em volta do caixão fez a minha cabeça de criança na época a sentir o que era a morte, e suas consequencias.

















É assim que a vida segue, para todos.
vai chegar a hora em que eu me silenciarei também, só não sei quando, e nem por isso eu precisarei criar falsas esperanças e ilusões que me confortarão do abismo cósmico.

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